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Eros, Tânatus, os vampiros e a crítica

15/03/2010

O exercício da crítica diz respeito antes à pessoa que analisa à obra observada. A medida em que tornei-me mais tolerante aos filmes a que assistia – encontrando aspectos elogiosos em filmes nem tão bons assim – deixei de encontrar os que tivessem um impacto de prazer intenso sobre mim. Prazer tal que é estritamente ligado à descoberta do novo – com todas as dúvidas, erros e dores que isso possa provocar. O fim deste período se deu quando assisti a Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in), de Tomas Alfredson. Filme que infelizmente perdi na Mostra e em suas semanas de exibição em circuito, restou-me apenas um arquivo .avi – o que possivelmente o faz perder muito de sua força em seu formato orginal scope. Leia mais…

Japonismo & Neo-Tokyo (Parte I)

09/03/2010

A história é famosa: em meados do século XIX, pintores europeus cansados com a pintura vigente começaram a fugir dos padrões de arte pré-estabelecidos pelas normas acadêmicas. Eles buscavam fora da Europa novas formas de figurar e compor. Na França e depois no resto da Europa houve uma febre que deram o nome de Japonismo, fenômeno esse que surgiu com a recente abertura dos portos japoneses quando começou a ser importada uma quantidade incrível de gravuras orientais. Leia mais…

Four Tet e muito mais em “There is Love in You”

07/03/2010

O quinto CD do Four Tet, pseudônimo do inglês Kieran Hebden, é uma aula sobre o que boa influências e parcerias podem fazer com um músico. Após alguns anos trabalhando com outros artistas e discotecando em casas londrinas, o resultado de “There is Love in You” é o ato de espremer a bagagem que o DJ já tinha com seu novo aprendizado com artistas de várias vertentes musicais. O resultado é o melhor álbum do Four Tet até então.

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A voz de Joanna Newsom voltou

27/02/2010

Pode parecer exagero, mas faltando 307 dias para terminar o ano, eu já tenho meu candidato ao melhor disco de 2010. E, no caso, não é apenas um disco. São logo três LPs, mas que parecem dois CDs, no máximo. Se você ainda não ouviu a nova obra-prima de Joanna Newsom, você ainda está em 2009, meu amigo. Depois de um hiato de mais de três anos, ela está de volta, com mais energia, uma voz ainda mais arrepiante e um instrumental assustadoramente perfeito.

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Bem vindo ao fantástico mundo de Disn… Bjørnar B.

25/02/2010

Bjørnar B é um artista norueguês que trabalha com arte infantil. Não é certo que ele seja uma criança, talvez seja um personagem inventado por uma pessoa que criou esse microcosmo formado pelos personagens da Disney. Ele resume bem o foco do seu trabalho logo na primeira frase da sua página na internet: “My name is Bjørnar B. I love to draw and my biggest dream is to draw for Disney. (specially Donald Duck)”. E é isso mesmo o que ele faz, desenha o pato Donald. A questão é de que forma, e com que intensidade.

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Dê quatro chances ao Fever Ray, ele merece

24/02/2010

A primeira audição ao álbum do Fever Ray, codinome adotado pela sueca Karin Dreijer, pode ser puro sofrimento, talvez até traumática. A voz ecoada da cantora e de seus convidados somada às batidas eletrônicas aflitivamente monótonas dão a sensação de pura desgraça. Parece que o mundo vai acabar, que crianças vão aparecer chorando na chuva e cachorros pegarão fogo. Porém, as seguintes audições são mais saborosas, eu prometo.

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Vício Frenético: o tenente e a paisagem

23/02/2010

Há duas características essenciais que marcam a obra do alemão Werner Herzog: saber olhar para uma paisagem – observando a relação pessoas X lugares -  e o trabalho com personagens intensas, numa obstinada busca pessoal entre a paixão e a loucura. O curioso é como transita fácil por gêneros e modos de produção sem nunca abandonar sua grafia particular. Vicio Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans), seu mais recente filme lançado no Brasil – ainda em cartaz em São Paulo, no Gemini – é apenas um policial B da Millennium, com baixo orçamento, alguns atores conhecidos e com mesmo título, produtor e plot dum clássico de Abel Ferrara. Se essa lista por acaso soar negativa para alguém (o que não é o caso para mim) ainda assim é um filme de Herzog.

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O Freak do Titi

23/02/2010

Titi Freak não teve uma educação formal em arte. Como muitos dos artistas brasileiros de sua geração que vieram da street art ele aprendeu a desenvolver o seu estilo por conta própria. Diferente de muitos destes artistas ele teve um berço na arte pop (não pop art nem arte popular), desenhando e desenvolvendo personagens para o estúdio Maurício de Souza além de trabalhar muito como ilustrador. Ele já tinha conhecimento técnico e experiência em desenho. Uma das histórias que o artista conta é que em seu primeiro graffiti ele acabou finalizando o trabalho com pincel, por causa de sua pouca técnica com spray.
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Os horripilantes do The xx

19/02/2010

Comecemos então com meus poucos centavos a respeito do primeiro álbum do The xx, o 2.0. Alguns fatores são decisivos para eu achar esse um dos melhores CDs de 2009. O primeiro motivo é única e simplesmente estético:  admito que respeito mais bandas em que todos os membros são feios. Não adianta só ter um membro asqueroso, tipo a Beth Ditto, ou o Thom Yorke. Pode ter estilo, mas tem que ser todo mundo feio, no melhor estilo The Clash. E se tem algo que o quarteto – agora trio – sabe é ser feio como um todo.

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