Whip X Cidade Limpa
Em 2010, Rodrigo Yokota (que assina como Whip), começou a espalhar uma figura bem característica nos muros de São Paulo e em pelo menos um caso, Buenos Aires. Seu auto-retrato. Pintando sua imagem cabeluda, barbuda e de óculos pelos muros ele mostra em diferentes estilos uma pintura auto-referente não apenas no fato de se auto-retratar mas também no tema. O graffiti, em sua vertente de matriz novaiorquina, desde sempre é uma manifestação extremamente auto-referencial. Se faz graffiti que remete a graffiti e foi assim que, desde os anos 70, ele se desenvolveu como uma manifestação paralela às artes visuais vigentes. Pegando referências exteriores aqui e alí mas em grande parte se isolando de tendências exteriores ao próprio estilo e linguagem fechados, quase esotéricos, do graffiti em si mesmo.

O que Whip faz nessas pinturas é dar um passo além dessa auto-referência, ele se retrata na maior parte das vezes fazendo o próprio graffiti. Em estilos diferentes mas mesmo assim bem reconhecíveis enquanto uma pintura sua. Como seu irmão Titi Freak, ele possui uma boa carga de desenho que veio antes do começo da prática do graffiti, o que enriquece em muito o trabalho com o spray. Mostrando uma figura caricata e bem humorada da própria imagem, Whip se retrata pelos muros cada vez mais cinzas da cidade de São Paulo.
Uma dessas pinturas de Whip levantou sem querer uma questão sobre as definições do que seria pichação, graffiti ou arte. Em Janeiro de 2007, entrou em vigor a lei cidade limpa. Com o objetivo de combater a poluição visual na cidade de São Paulo. Além de banir outdoors, banners e diminuir as placas dos estabelecimentos comerciais, ela também visou o que é escrito e pintado nas ruas. Não é incomum desde então ver muros através da cidade de São Paulo recentemente pintados de cinza para cobrir o que foi feito nos muros. Segue uma fotografia do auto-retrato que levantou a questão.
Observem que a composição inteira dele descreve a palavra W-H-I-P com todos os elementos da auto-referência do graffiti, que em sua principal matriz consiste na pintura de letras. Nessa pintura ele juntou a figuração com a escrita fazendo uma peça só. O curioso é como os pintores da cidade limpa lidaram com isso, eu observei depois de algumas semanas que pintaram de cinza por cima dessa pintura, mas só da parte do W que era o traço vermelho do Spray e o P que fica ao lado da figura, tirando assim os elementos que seriam “pichação” da pintura e deixando apenas o que é figurativo.
Com maior aceitação do Graffiti pelo poder público começamos a ver graffiti e pichação, ambos ilegais a principio, aceitos ou não pelas autoridades. No Brasil sempre existiu uma aceitação informal do graffiti pelas autoridades em detrimento da pichação, mas eu nunca tinha visto isso colocado de maneira tão visual. Depois de algumas semanas o resto da pintura foi apagado, mas Whip foi no mesmo muro e pintou outra que permanece até hoje. Sabe-se lá até quando.
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Veja mais trabalhos de Whip, que vai bem além da pintura mural.


porra fico do caraleo
Ele sempre picha onde as árvores completam o cabelo?
nossa nem tinha reparado.