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Bem vindo ao fantástico mundo de Disn… Bjørnar B.

25/02/2010

Bjørnar B é um artista norueguês que trabalha com arte infantil. Não é certo que ele seja uma criança, talvez seja um personagem inventado por uma pessoa que criou esse microcosmo formado pelos personagens da Disney. Ele resume bem o foco do seu trabalho logo na primeira frase da sua página na internet: “My name is Bjørnar B. I love to draw and my biggest dream is to draw for Disney. (specially Donald Duck)”. E é isso mesmo o que ele faz, desenha o pato Donald. A questão é de que forma, e com que intensidade.

Donald e Margarida

Dentro do nosso senso comum artístico, o normal é ser criado em uma noção de arte que nos acompanha desde a Grécia Antiga, chamada por muitos de arte representativa. Ou seja, uma arte mimética que pretende representar fielmente o mundo como nós o vemos. É claro que hoje em dia arte em geral não precisa seguir estas normas, mas esta visão continua sendo a predominante. Uma das teorias sobre a arte infantil é que ela não é representativa a princípio, mas que a educação de arte que é imposta às crianças as força a seguir uma figuração representativa, assim as contaminando consciente ou inconscientemente com uma norma pré-estabelecida de como elas devem desenhar.

O Papa Donald Duck está mexendo com as meninas do vilarejo.

Até o momento Bjørnar B nos apresentou em seu site dois jogos de computador de Adventure , além de desenhos e trabalhos escolares. O gênero Adventure de jogos de computador é  mais conhecido por títulos como The Secret of Monkey Island, The Dig e Full Throttle, todos da empresa Lucas Arts. Neles, o jogador costuma seguir uma história com seu personagem enquanto precisa achar maneiras de resolver os problemas que se apresentam utilizando os objetos encontrados. Os dois jogos de Bjørnar tem como protagonista, pasmem, o pato Donald e chamam respectivamente Life of D. Duck e Life of D. Duck 2.

Zezinho, Huguinho e Luizinho fugindo da casa de Donald.

O microcosmo criado dentro destes dois jogos é a parte mais fascinante. Além do desenho genialmente tosco, Bjørnar nos apresenta um mundo baseado tenuemente em conceitos tirados do universo Disney, do orgulho nacional norueguês e de noções de educação moral fora de contexto e com conteúdo deturpado. Tudo isso apresentado em um inglês cheio de erros ortográficos dentro de uma história que não segue lógica, moral, senso comum ou realismo.

Uma imagem do segundo jogo. O máximo de virtuosismo encontrado no trabalho de Bjørnar, hidrocor, esferográfica e lápis de cor.

Vovó Donalda encontrando o ovo do qual nasce Donald no primeiro jogo. Detalhe que aquilo à direita do rosto é a parte inferior do maxilar, que se movimenta para tudo quanto é lado durante as falas.

Na coleção de imagens no site de Bjørnar é possível ver muitos desenhos insanos desta criatura perturbada, mas todos eles feitos apenas com esferográfica de uma cor. Já os desenhos nos jogos são outra história. Mais trabalhados, eles são feitos com esferográficas de várias cores assim como hidrocor e lapis de cor. O que é lindo nisso é como são construídos os cenários e personagens dentro deste universo bizarro. A incapacidade ou desinteresse de seguir uma arte representativa que Bjørnar demonstra é impressionante, especialmente dentro dos jogos. As animações ao invés de serem feitas com desenhos em sequência para criar a ilusão de movimento, são feitas a partir de um único desenho base. O que deixa o movimento das figuras às vezes engraçado e às vezes assustador.

Donald odeia música moderna.

Tanto faz qual a origem deste universo, se veio de uma piada de internet que foi levada a sério e tomou outras proporções ou se veio realmente de uma criança norueguesa obcecada com o pato Donald. O que interessa é que ele deve ser apreciado por olhos sem preconceito. E que vale a pena experimentar um pouco desta loucura mesmo que seja por mera curiosidade do estranho senso de humor que permeia tanto os desenhos quanto as falas deste mundo distorcido. Mas ao fazê-lo, deixe suas noções básicas de moral e arte do lado de fora.

Você pode encontrar todos os trabalhos de  Bjørnar B, incluindo os dois jogos, em seu site pessoal:

http://www.bjornarb.com/
Segue um clip do segundo jogo:
2 Comentários leave one →
  1. Jefferson Link Permanente
    28/07/2010 2:35

    fantasico post, bela escrita, conteudos seletos, intenso

Trackbacks

  1. Japonismo & Neo-Tokyo (Parte II): A Contaminação Mangá « Nós, da crítica especializada

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