O Freak do Titi
Titi Freak não teve uma educação formal em arte. Como muitos dos artistas brasileiros de sua geração que vieram da street art ele aprendeu a desenvolver o seu estilo por conta própria. Diferente de muitos destes artistas ele teve um berço na arte pop (não pop art nem arte popular), desenhando e desenvolvendo personagens para o estúdio Maurício de Souza além de trabalhar muito como ilustrador. Ele já tinha conhecimento técnico e experiência em desenho. Uma das histórias que o artista conta é que em seu primeiro graffiti ele acabou finalizando o trabalho com pincel, por causa de sua pouca técnica com spray.
Essa liberdade que um artista como Titi Freak tem de se apropriar livremente de fontes diversas, de não ter uma conduta demarcada pelo que seria, por exemplo, arte séria ou não, é o que dá força ao seu trabalho. E é o que desenvolve o seu estilo pessoal, em como ele irá combinar os elementos que ele consciente ou inconscientemente escolheu para compor um trabalho. Afinal, a maior parte do que define um estilo não é o que usar mas o que não usar.
Seus retratos da figura humana também mostram claramente como o artista combina diferentes estilos em seu trabalho. A figura humana do começo da sua carreira como artista demonstrava muito mais relação com seu trabalho de ilustração, referência direta do mangá e também da ilustração de moda. Ao longo dos anos Titi deu uma primeira virada, aproximadamente na época da sua primeira exposição individual na galeria Choque Cultural, em que ele começou a trazer outras referências para a sua figuração humana. Um ótimo exemplo dessa primeira virada é um díptico que recentemente foi exposto no MASP na exposição “De Dentro Para Fora / De fora Para Dentro”. Conversei com Titi sobre esse trabalho e ele me disse mais de uma vez sentir que foi nessa época que seu trabalho deu uma guinada. A partir daí, me parece que a consciência de quais referências tomar para desenvolver o seu trabalho cresceu.
Uma segunda mudança mais recente em seu trabalho parece ter acontecido em meados de 2009, quando o artista começou a pegar referências diretas do cubismo. Mas sem usar esse estilo de maneira pura, e sim o combinando com o que já havia constituído no seu corpo de obra. Nesta mesma época a paleta de cores de Titi mudou dos tons pastéis mais suaves para cores berrantes como os tons neons, além de uma combinação de tons mais fortes. De certa forma, tanto as cores quanto as referências claras de arte geométrica vistas no trabalho mais atual de Titi podem ser vistos em cultura pop e no que está em voga, na moda por exemplo. Cores neons e motivos geométricos muito presentes no que é cool atualmente. Vale lembrar que Titi sempre teve uma preocupação estética sobre o que vestir. E isto, de certa forma, pode ser comparado ao seu trabalho. Mas a capacidade de utilizar de maneira única o que está em moda, do que vemos muito no dia a dia, mostra um artista que não se preocupa em se imunizar do que é realmente contemporâneo e ao mesmo tempo não precisa recusar as várias tradições artísticas que o ajudaram, e ainda o ajudam, a se formar.

Crédito das Fotos:
http://www.flickr.com/photos/galeria_ludica/
http://www.choquecultural.com.br/
http://www.paginainvalida.com.br/
http://titifreak.blogspot.com/





“Abstrato recente possivelmente inspirado em nuvens, 2009.”
boa a reflexão sobre a percepção hipermoderna de tempo ao nos contemporanizar em 2009 como “recente”, pois a sua relativização torna possível dizer que algo é antigo mesmo sendo de 2009. . pq tudo é relativo, né, véi?
nesse mundo pós-contemporâneo é um comentário como o seu que nos faz realmente refletir em como a arte pode ser uma ótima analogia para a condição humana.
mais do que numa nuvem acho que foi inspirado numa carpa japonesa, mas vale a viagem da nuvem. Muito boa a matéria
sóoooo…
é issumemo véi, vishhh.
a criança oriental tem um carisma unico