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Whip X Cidade Limpa

23/11/2011

Em 2010, Rodrigo Yokota (que assina como Whip), começou a espalhar uma figura bem característica nos muros de São Paulo e em pelo menos um caso, Buenos Aires. Seu auto-retrato. Pintando sua imagem cabeluda, barbuda e de óculos pelos muros ele mostra em diferentes estilos uma pintura auto-referente não apenas no fato de se auto-retratar mas também no tema. Leia mais…

O Leão Acordou – Uma pintura de Souther Salazar

05/10/2011
The Lion is Awake

Souther Salazar é um artista americano que faz parte da galeria Jonathan LeVine, e foi através dela que o conheci. Em 2008 ele estava entre os artistas que fizeram uma exposição coletiva aqui no Brasil na galeria Choque Cultural. Me apaixonei pelo seu trabalho que mescla colagem, desenho e pintura, com a maneira quase infantil de apresentar seu mundo. Algo da técnica aparentemente simples e tosca me remeteu mais ao trabalho produzido no Brasil do que seus conterrâneos, e dessa forma me identifiquei mais facilmente com ele. Recentemente encontrei na internet o blog de Souther no qual, entre outras coisas, ele apresenta uma leitura de algumas pinturas suas. Traduzi um desses posts para o português no qual ele descreve as idéias, memórias e processos por trás de uma de suas pinturas, The Lion is Awake de 2011. Segue: Leia mais…

Yumi Takatsuka – O Orgulho da Carne

29/09/2011

A temática de Yumi gira em torno de animais criados para o consumo humano, mas embora suas composições trabalhem de maneira por vezes sutil,  por vezes diretamente com a questão do sacrifício animal, ela não sugere uma crítica aos nossos modos alimentares. As composições mostram uma grande ternura dentro desta temática, o que aparenta ser paradoxal.

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Top 5 Catástrofes de 2010

28/12/2010

Seguindo a onda de fim de ano de fazer listas arbitrárias para mostrar a sua opinião da qual ninguém se interessa, idealizei a seguinte lista das Top 5 Catástrofes de 2010.


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Carta a Calil

04/09/2010
CAETANO VELOSO

Fiquei feliz por conseguir conversar contigo um pouco após aquela sessão no Espaço Unibanco dedicada aos alunos da Escola da Cidade. Afinal, uma série de questões se aglutinaram na minha cabeça, mas o tema central do seminário deles não me pareceu a ocasião exata para expor tudo isso. Optei por não interferir. De qualquer modo, o andamento do debate, não pela qualidade dele em si, ativou ainda outros aspectos que teu filme havia despertado em mim.

Continuo com a opinião de que é sim um documentário jornalístico – e devido ao grande mérito do filme: trabalhar da forma que trabalha com o presente. Busca materiais de arquivo, traz as pessoas que estiveram ali para falar hoje em dia e reflete sobre ontem olhando para hoje e amanhã. O agora grita no teu filme. O cinema aprendeu a melhor noção de presente a partir do jornalismo: está lá nos textos teóricos de Sganzerla, ou de Godard e toda a patota francesa dos 60. Foi ali que se aprendeu – com o jornalismo – como lidar com o agora.

Hoje, época em que o melhor do cinema brasileiro está nos documentários, com a inventividade de Pan-Cinema Permanente, FilmeFobia, Santiago, Jogo de Cena, Moscou, Diários de Cintra etc., Uma noite em 67 dá a vocês – Ricardo, Renato e toda a equipe – um espaço nesse hall também. Porque apesar da aparência de documentário tradicional, com as “cabeças falantes” autoridades no assunto por exemplo, há um respeito e consciência enormes em relação à História, aos personagens, ao público e a si próprios. Ele não é tradicional nesse sentido, então. Até porque, os entrevistados ali não assumem papel de entidades superiores donas da verdade; pelo contrário, elas são apenas as pessoas que quando aquele passado era presente, estavam ali vivenciando o fato, o dia. Curiosamente, numa discussão sobre o filme, um amigo reclamou a falta de alguém que se colocasse contra o discurso. Então perguntei: “que discurso? O que há para contrapor ali exatamente?” E essa aparente neutralidade é outra coisa que me fascinou. Não senti que vocês em momento algum procurassem ser pró ou contra qualquer coisa a ver com os festivais em si. Senti mesmo foi uma proximidade com o que Gil relata quando aparece na passeata contra a guitarra elétrica e depois vai se apresentar com os Mutantes. É como ele diz sobre a própria musica, é o “OHM”, pois então, pró e contra ao mesmo tempo, bom e ruim, certo e errado; nesse sentido, neutro.

Gosto muito de como o filme é construído, com o respeito aos cortes originais nos materiais de arquivo e, principalmente, o tempo dos planos nas entrevistas. Imagine só: resgatar na memória um fato mitificado que se passou há 40 anos. Todas aquelas figuras, as ressentidas e as bem resolvidas, devem ter todo um discurso pronto para falar sobre isso. Mas é naquele tempinho a mais que a câmera flagrou, no desabafo de Chico, na tentativa de Caetano lembrar a música e se deliciar com uma mudança de acorde que ele toca, no olhar vidrado e concentrado de Gil tentando achar a palavra certa, que a gente vê a beleza da coisa, da vida toda. E então, a tal neutralidade e esse carinho que o cinema pode oferecer, dá ao espectador caminhos diversos para tirar dali o que quiser. O cinema, então, deixa de ser meio para um discurso e se torna apenas cinema, puro.

Para alcançar isso é necessário mais do que técnica: é necessário coragem. E isso me remete a um dos assuntos que conversamos brevemente, que é a questão da liberdade. Uma noite em 67 demonstra coragem pela forma de encarar o assunto da forma que encara; Caetano, Gil e Edu Lobo nos mostram um pouco da coragem também, coragem de ser livre. E, ironicamente, o público jovem, todo abaixo dos 25 anos ali na sessão, sofrendo de uma nostalgia por algo que não viveu, uma “invejinha” como afirmou uma estudante. E sabe o que me leva a crer? É que minha geração é a do “tudo pode”: fazemos o que quisermos e podemos legitimar, é aceito. E então vem a dificuldade de lidar com isso; uma obrigação em ser feliz, em ter prazer, em se afirmar. Engraçado, porque a partir da liberdade a gente cria nossas próprias grades, não sabemos o que fazer. Em tempos de “tudo pode”, quem sou eu? Aí, a liberdade que é uma coisa neutra também, se assemelha mais a nossa idéia de dor que a de prazer, esse prazer ininterrupto que essa geração busca.

Discordo de que sejamos uma geração vazia; muito menos uma geração desinteressante. Antes, uma geração desinteressada. Não toda ela, afinal o agora é lindo e muita coisa está acontecendo. É só procurar na internet e vemos um tanto de música boa, de pensamentos bacanas, de vídeos, desenhos etc. Porém, o que mais se evidencia – e aí me entristece saber que ali estavam pessoas com dinheiro, com formação boa, com possibilidades mil – é uma espécie de recalque com essa liberdade toda, fazendo com que preferissem os tempos em que “havia um inimigo”. Minha geração, Calil, prefere então se higienizar, fazer tudo limpinho, nos conformes – se proteger. E por isso, Uma noite em 67 se faz tão importante como documentário: ele nos lembra que o risco é necessário, essencial.

Um abraço,

Risas, 03 de setembro de 2010.

As várias Galerias de Zezão

22/07/2010

Desde que começou a expor, Zezão teve o difícil trabalho de transpor para um suporte de arte mais convencional as suas intervenções na rua. Ao aplicar a outro suporte a sua arte que foi desenvolvida sobre paredes deterioradas, queimadas e sujas, Zezão precisou fazer uma pesquisa de que base seria ideal para manter o efeito visual de contraste e o ideário das ruas e galerias de esgoto. Leia mais…

Problemas com os duendes: a matéria e o imaginário de Esmir Filho

18/05/2010

De todos os caminhos possíveis no Cinema, o mais fascinante é sem dúvida sua capacidade de esmiuçar o que o mundo tem de mais material e superficial para, a partir daí, chegar ao mistério que enxergamos para além disso. É exatamente antagônica a realização de Esmir Filho em seu primeiro longa, Os famosos e os duendes da morte. Infelizmente, é perceptível que seu pensamento parte de uma crença similar ao que afirmei na primeira frase, porém, o deslumbramento com certos artifícios plásticos colocam o jovem diretor e seu filme na contramão desta vertente. Da tentativa de perscrutar obtém-se a invasão; da pura observação nasce a manipulação e (auto) afirmação.

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A Febre do Feno

13/04/2010

Se você tem uma conta de Facebook algum amigo seu provavelmente o convidou para participar da construção de um celeiro. Provavelmente mais de um amigo seu faz questão de, além de seu amigo, ser seu vizinho. Bonequinhos de camisa xadrez e macacão jeans invadem a sua lista, e se você já foi contaminado pelo FarmVille possivelmente você adicionou alguns amigos no Facebook só para conseguir aumentar as suas terras.

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A consternação de Otto o fez bem

09/04/2010

Os últimos anos da vida de Otto parecem não ter sido os melhores no que diz respeito a sua vida pessoal. Porém, me disse certa vez o artista plástico Elifas Andreato que “não existe criatividade sem sofrimento”. É esse mar de acontecimentos, somado à brilhante escolha dos músicos e parceiros, que tornam o álbum “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” uma grande obra, possivelmente a primeira do cantor.
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Japonismo & Neo-Tokyo (Parte II): A Contaminação Mangá

02/04/2010

Traçar uma genealogia do desenho de mangá não parece difícil. A maioria das pesquisas irá cair no nome de um homem chamado pai do mangá, Osamu Tezuka. A história diz que Tezuka durante o pós-guerra no Japão ao pegar referências do quadrinho e desenho animado ocidental como Mickey Mouse, Betty Boop e Gato Felix, inventou os famosos olhos de Mangá. É claro que é complicado reduzir toda uma nova tradição de figuração humana e animal a um jeito de desenhar olhos. Mas apesar das várias diferenças entre um artista e outro, olhando de fora todo o corpo do desenho de mangá (quadrinhos) e anime (desenho animado) parece ter uma assustadora coerência de estilo. Ao juntar o desenho mais solto dos quadrinhos com uma simplificação da arte representativa. E ao estilizar partes isoladas do corpo e escolher não fazê-lo com outras, um praticante da figuração de mangá tem um controle mais relaxado de como irá representar emoções e reações das figuras retratadas. Leia mais…

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